A saudade é um turbilhão de emoções errantes, fugidias. A
saudade é uma foto de quem já partiu ainda sorrindo para nós na estante. A
saudade é a dor de arrumar o quarto de um filho que já morreu, de remexer suas
gavetas, encontrar desenhos, bilhetes, fios de cabelos, guardar seus brinquedos
e dobrar suas roupas ainda com o perfume. A saudade é ter medo de esquecer o
som da voz de quem se foi. É
tentar reter na imaginação o aroma e a maciez da pele da pessoa amada. É não
saber vencer a dor das horas e dias que ficaram mais longos e vazios. A saudade
é tentar encontrar sinais e significados em cada milímetro da alma. A saudade é
tentar imaginar um futuro que não mais virá, pois falta um pedaço. A saudade é
uma dor silenciosa que não se cala e que nada preenche. A saudade é fechar os
olhos e ansiar por um abraço e um beijo. É percorrer os cômodos da casa em
busca por quem não está mais presente. A saudade é não conter as lágrimas ao
ouvir o som de uma música. É estar à beira de um abismo, chamar por um nome e não
ouvir o eco. A saudade é o tormento de ver arrancada uma página da vida. É
estar submerso em uma imensidão de desejos e sonhos agora distantes. A saudade
é a cadeira vazia na mesa posta para o jantar. É a cama de casal que agora
ficou imensa por estar pela metade. É a porta fechada de um quarto vazio, não
mais habitado. É procurar pelas ruas no rosto anônimo a face de quem partiu. A
saudade é a dor de nunca mais poder chamar pela mãe ou pelo pai. A saudade é a
dor de dizer meus filhos, quando sabemos que falta um. É ter que seguir em
frente com a sensação eterna de que alguém ficou para trás. A saudade é
simplesmente não pode mais saber como seriam as coisas. A saudade é olhar para
o céu e ver milhões de estrelas reluzentes e tentar imaginar em qual delas
habita a pessoa amada. A saudade é fotografar na alma todos os momentos, todos
os instantes, para que nunca parte de nós que se foi, caia no esquecimento.
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